A importância dos treinamentos realizados na pré-temporada

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No período de férias dos jogadores são verificados efeitos negativos na composição corporal (por exemplo, aumento do percentual de gordura e redução da massa livre de gordura) (1), no desempenho de sprints com e sem mudanças de direção, e na potência muscular. Os efeitos de destreinamento também são evidentes para os resultados de parâmetros fisiológicos e de desempenho relacionados à resistência, com decréscimos no consumo máximo de oxigênio (V̇O2máx) e no desempenho da corrida intermitente (2). Os autores dessa revisão sistemática defendem que o período de férias precisa ser percebido como uma janela de oportunidade para os atletas se recuperarem e se “reconstruirem” para o início da temporada seguinte, que é iniciada com uma pré-temporada (2).

Sendo assim, um recente estudo avaliou prospectivamente o efeito do nível de condicionamento físico adquirido na pré-temporada sobre a taxa de lesões que ocorriam durante a temporada competitiva de jogadores de futebol profissional. As avaliações de desempenho no salto vertical, teste de flexibilidade, sprints repetidos e V̇O2máx foram realizadas antes e após 6 semanas de pré-temporada. Os atletas foram monitorados nas 40 semanas seguintes durante a temporada competitiva por 2 anos consecutivos. Com isso, os atletas que não se lesionaram tiveram melhorias significativas no VO2máx durante o período de treinamento na pré-temporada (10% ± 7%, p < 0,05; tamanho do efeito grande = 0,99), enquanto que os atletas lesionados tiveram alterações de 1% ± 6% (tamanho do efeito pequeno = 0,19). Os autores enfatizam a importância do treinamento de alta qualidade na pré-temporada de jogadores profissionais de futebol, não apenas para melhorar o condicionamento físico, mas também (entre outros fatores) para prevenir lesões durante a temporada que está para iniciar (3). Concordando com esses achados, outro estudo, agora com jovens jogadores de futebol da NCAA Division I, verificou que os níveis de capacidade aeróbica da pré-temporada foram preditores das lesões que ocorreram durante a temporada competitiva (VO2máx dos lesionados = 57,7 mL·kg·min Versus VO2máx dos não lesionados = 63,4 mL·kg·min; p < 0,05) (4).

Devido à natureza de condicionamento físico concomitante do esporte, as abordagens para treinamento de força com abordagens combinadas de treinamento intervalado de alta intensidade podem constituir uma boa estratégia dentro de um processo periodizado no futebol (5). Estes autores ainda sugerem que os jogadores profissionais precisam aumentar significativamente sua força para obter pequenas melhorias em certas ações baseadas em corrida (sprint e velocidade com mudanças de direção). Sendo que o treinamento de força e potência induz maiores melhorias de desempenho nas ações de salto do que nas atividades baseadas em corrida, e esses resultados variam de acordo com a tarefa motora [por exemplo, maiores melhorias na aceleração (10 metros iniciais de um sprint) do que na velocidade máxima (atingida próxima do final ou no final de 40 metros de sprint) e salto agachado (SJ) do que em ações baseadas em salto com contra-movimento]. No que diz respeito aos métodos de treinamento de força e potência, o treino de musculação de alta intensidade parece ser mais eficiente que o treino com intensidade moderada (hipertrófico). A partir de uma perspectiva de frequência de treinamento, duas sessões semanais de treinamento de força e potência são suficientes para significativa melhora durante a pré-temporada, com os programas de treino incorporando exercícios visando a eficiência de atividades do ciclo alongamento-encurtamento e ações baseadas na força específica do futebol (5).

Desta forma, os achados da literatura apontam para a importância dos treinamentos realizados na pré-temporada ao gerar resultados relacionados a redução do risco de lesão e a otimização do rendimento esportivo.

Como buscar esses resultados diante de um calendário que disponibiliza um tempo insuficiente para uma pré-temporada, eis a questão.!?

REFERÊNCIAS:

  1. Requena B, García I, Suárez-Arrones L, Sáez de Villarreal E, Naranjo Orellana J, Santalla A. Off-season effects on functional performance, body composition, and blood parameters in top-level professional soccer players.  J Strength Cond Res 2017 Apr;31(4):939-946.
  2. Silva JR, Brito J, Akenhead R, Nassis GP. The transition period in soccer: a window of opportunity. Sports Med 2016 Mar;46(3):305-13.
  3. Eliakim E, Doron O, Meckel Y, Nemet D, Eliakim A. Pre-season fitness level and injury rate in professional soccer – a prospective study. Sports Med Int Open 2018 Aug;2(3):E84-E90.
  4. Watson A, Brindle J, Brickson S, Allee T, Sanfilippo J. Preseason aerobic capacity is an independent predictor of in-season injury in collegiate soccer players. Clin J Sport Med 2017 May;27(3):302-307.
  5. Silva JR, Nassis GP, Rebelo A. Strength training in soccer with a specific focus on highly trained players. Sports Med Open 2015 Apr;1(1):17.



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