Pirâmide de prevenção de lesões musculoesqueléticas (Coles, 2018)

Inteligência Artificial e o Esporte Coletivo Brasileiro
24 de outubro de 2018
Como a fadiga mental pode impactar no desempenho de jogadores de futebol?
6 de novembro de 2018

Por meio de uma abordagem prática, o Prof. Phil Coles (1), que atualmente é o Coordenador de Alto Desempenho da Federação Australiana de Futebol, também com passagens como Diretor do Departamento de Desempenho e Medicina do San Antonio Spurs (NBA), Chefe de Serviços Médicos do Newcastle Knights (Rugby League) e Chefe do Departamento de Fisioterapia do Liverpool Football Club (Futebol). Foi ele quem propôs uma pirâmide para prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas, inicialmente destacando as influências dos fatores psicossociais e culturais, que diferenciam grandemente de país para país, de região para região e até mesmo de clube para clube e impactam em todos os níveis da pirâmide, que tem em sua base:

1) Recrutamento/Gerenciamento de atletas; fato facilmente justificado pela relação entre o histórico de lesões do atleta com um risco mais elevado para uma nova lesão. Além disso, o autor ressalta como as demandas técnico-táticas desejadas pelo Treinador acabam determinando as demandas físicas do atleta, para que essas sejam cumpridas efetivamente. Caso contrário, pode se estar cobrando uma demanda técnico-tática de um atleta que não está apto a cumpri-la por questões físicas, sendo este o momento adequado para ser analisado este contexto. O próximo bloco é atribuído ao

2) Controle/Monitoramento de carga; devido a lesão resultar de um somatório de carga que ultrapassa o limite do tecido biológico (ZERNICKE; WHITING, 2000). Apontando assim para a importância de um preciso processo de controle/monitoramento visando respaldar efetivamente os demais blocos da pirâmide. O autor trata controle e monitoramento como sinônimos, o que difere da nossa abordagem, mas que podemos tratar exclusivamente do assunto em uma postagem futura. Independentemente, esse bloco da pirâmide trata do grande desafio atual em relação a prevenção de lesão, a busca da ferramenta ideal para controle de carga de treinamento, corrida essa em que participam Profissionais e Cientistas do Esporte de todo o mundo, mas que ainda ninguém venceu. No terceiro bloco está a

3) Preparação física que visa a qualidade da força e condicionamento, pois o fortalecimento muscular e a preparação física são fundamentais para que o atleta suporte e adapte positivamente as cargas de treinamento. O quarto bloco fica para a

4) Eficiência do movimento; que é responsável pela qualidade dos padrões de movimento. No entanto, o autor aponta ser possível sua realocação no nível hierárquico, ao alterar essa posição com os dois próximos blocos da pirâmide. Na sequência temos esses demais blocos:

5) os Programas de prevenção de lesão e os

6) Processos de Avaliação e Reabilitação. Estruturas que alicerçadas sobre um processo efetivo dos blocos de base da pirâmide, podem trabalhar com o tempo adequado para suas diversas demandas. Caso contrário, a pressão de tempo para liberação do atleta é cada vez maior, fato que pode comprometer os resultados dessas etapas. Por fim, a

7) Sorte; pois o imponderável se faz presente no dia a dia do ambiente esportivo.

Além da estruturação proposta na pirâmide, o nível de integração entre todos os membros da Staff é fundamental para a ocorrência de um menor número de lesões e um sucesso mais consistente da equipe ao longo das temporadas competitivas.

 

E você profissional do esporte, se vê em um contexto em que esta pirâmide faz sentido ? Se sim, conte sua historia nos comentários, caso contrario, caso não atenda a sua realidade, divida seu dia a dia conosco.

 

REFERÊNCIAS

  1. Coles PA. An injury prevention pyramid for elite sports teams. Br J Sports Med. 2018 Aug;52(15):1008-1010.
  2. Zernicke RF, Whiting WC. Mechanisms of musculoskeletal injury. In, Biomechanics in Sport: Blackwell Science Ltd; 2008: 507-522

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.