A troca de Técnicos aumenta a incidência de lesões musculares no futebol profissional.

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Um recente estudo publicado na importante revista científica Clinical Journal of Sport Medicine verificou o aumento na incidência de lesões musculares após a troca do Técnico (1). Antes mesmo de explorarmos um pouco o estudo, verifiquemos alguns números apresentados em manchetes esportivas de veículos de comunicação de destaque em nosso país:

 

  • “Brasil é o sexto país que mais demite técnicos no mundo” (2);

 

  • “Média de troca de técnicos de 2018 é a maior da história do Brasileirão com 20 times” (3);

 

  • “Rotatividade dos técnicos: trabalhos duram cerca de seis meses em clubes da elite no Brasil” (4).

 

No Brasil, 90% dos times trocam de técnico durante uma temporada. Essa elevada frequência nos coloca entre os 6 países que mais demitem, sendo eles: 1º Costa Rica (100%); 2º Turquia (94%, esse o país onde o estudo acima citado foi executado); 3º Argélia (94%); 4º Romênia (94%) e 5º Moldávia (91%). Na principal liga nacional, a Premier League da Inglaterra, o percentual de troca é de 40% e na França de 25% (2).

Utilizando como base de cálculo o período desde 2006, onde passou a ter 20 clubes na Série A do Campeonato Brasileiro. Atingimos no atual Campeonato de 2018, já no mês de agosto (17ª rodada) o recorde da média de mudanças de técnicos a cada rodada. Foram 0,94 mudanças por rodada neste ano e a menor média sendo alcançada em 2012 com 0,50 mudanças por rodada. Esperemos o final da competição para saber se o recorde será mantido (3).

Um levantamento com os 21 principais clubes do Brasil nos últimos 15 anos verificou que o tempo médio de trabalho dos Técnicos foi de 6 meses. Desde 2003, quando a competição é disputada por pontos corridos, o Técnico Muricy Ramalho foi o que teve o maior tempo de trabalho no mesmo clube. Foram 42 meses na trajetória do Tricampeonato Brasileiro pelo São Paulo FC entre 2006 e 2008 (4).

Diante do cenário nacional, podemos verificar um contraponto a um dos principais objetivos para qual trabalham as Ciências do Esporte, que é a redução do risco de lesão. No estudo realizado com os atletas profissionais da Super League da Turquia, os dados foram coletados consecutivamente durante o período de 2014 a 2017 (118 atletas de dois clubes; Clube A = 64 e Clube B = 54). Uma das justificativas para o estudo de acordo com os autores, era que a Superliga Turca tem uma das maiores frequências de rotatividade de treinadores entre as ligas de futebol da elite europeia. Sendo que eles são a 6ª maior economia dentre as principais ligas, representando mais de 1 bilhão de euros. Os autores analisaram a incidência de lesões musculares no período total e compararam com os 2 momentos que representavam: as 2 primeiras semanas e o 1º mês após a troca de Técnicos. O principal achado do estudo foi que a incidência de lesão que era de 2,3 lesões musculares por 1000h de exposição, aumentou 2,3 vezes em comparação com as 2 semanas após a demissão (5,3 lesões musculares por 1000h de exposição). Além disso, a chance também aumentou 1,9 vezes dentro do 1º mês de troca (4,5 lesões musculares por 1000h de exposição) (1).

Agora uma ressalva antes de concluirmos, o estudo foi realizado no futebol turco, precisamos e podemos fazer uma análise semelhante no futebol brasileiro. Sabemos das questões profissionais, culturais e psicossociais que influenciam grandemente o tópico aqui discutido, o que certamente não encerra, pelo contrário, podemos aqui iniciar uma ampla discussão sobre o tema. E aí, qual é o seu posicionamento?

REFERÊNCIAS:

  1. Dönmez G, Kudaş S, Yörübulut M, Yıldırım M, Babayeva N, Torgutalp ŞŞ. Evaluation of Muscle Injuries in Professional Football Players: Does Coach Replacement Affect the Injury Rate? Clin J Sport Med 2018 Aug 15. doi: 10.1097/JSM.0000000000000640. [Epub ahead of print]
  2. Capelo R. Época Esporte Clube. Publicado em 13/01/2017 às 6h02: https://epoca.globo.com/esporte/epoca-esporte-clube/noticia/2017/01/brasil-e-6-pais-que-mais-demite-tecnicos-no-mundo.html
  3. Futebol Brasileiro. Esporte Interativo. Publicado em 06/08/2018: https://www.esporteinterativo.com.br/posts/36399-media-de-troca-de-tecnicos-de-2018-e-a-maior-da-historia-do-brasileirao-com-20-times?
  4. Maniaudet G; Maleson R. Globo Esporte. Publicado em 13/11/2018 às 6h39: https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/rotatividade-dos-tecnicos-trabalhos-duram-cerca-de-seis-meses-em-clubes-da-elite-no-brasil.ghtml

1 Comentário

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