Como a fadiga mental pode impactar no desempenho de jogadores de futebol?

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A resposta para essa pergunta foi tema de 2 recentes estudos em uma das principais revistas científicas da área de Ciências do Esporte, a Sports Medicine (1, 2). Apesar da dificuldade para o atleta definir para ele mesmo o significado de fadiga mental, ela pode ser definida como “um estado psicobiológico caracterizado por sentimentos de cansaço e falta de energia e induzido por períodos prolongados de atividade de exigente demanda cognitiva”. As demandas cognitivas-perceptivas da competição de futebol são extremamente desafiadoras.

De fato, os jogadores de futebol devem permanecer alertas por períodos prolongados, verificando constantemente seu ambiente dinâmico de desempenho e atendendo apenas as informações relevantes. Os jogadores devem integrar essa informação com estratégias táticas, tendências de  companheiros de equipe, bem como dos adversários (previamente armazenadas na memória) para tomar decisões acertadas sob rígidas restrições de tempo. Competir em alto nível com um elevado número de jogos potencialmente congestionados pode aumentar essas demandas psicológicas.

Portanto, os jogadores provavelmente experimentam fadiga mental durante a competição, o que pode contribuir para as reduções de desempenho observadas nas partidas. Além disso, em jogadores de elite, a fadiga mental pode interagir com a restrição/privação do sono para influenciar o desempenho. Por exemplo, a sonolência e a fadiga mental podem funcionar sinergicamente para prejudicar o desempenho cognitivo. Isso pode ser importante para jogadores de futebol de elite, já que as exigências físicas e psicológicas de treinamento e competição podem reduzir a qualidade e a quantidade de sono dos atletas, impactando na recuperação, podendo afetar o desempenho subsequente.

Os autores também verificaram a aplicação de algumas ferramentas para monitoramento do estado de fadiga mental do atleta, como por exemplo, por meio de escalas subjetivas de estado de humor. Por outro lado, a escala visual analógica como medida de fadiga mental não foi recomendada. Medidas objetivas da fadiga mental também são reportadas e apesar das limitações que temos atualmente para avaliar de forma objetiva a fadiga mental, com o continuado avanço tecnológico, as medidas por meio de eletroencefalografia (EEG) e realidade virtual aumentada apresentam caminhos promissores para área. Sendo que pesquisas futuras devem procurar compreender as causas da fadiga mental na vida real no futebol de elite, ou seja, em um ambiente de futebol de mundo real e com alto grau de interferência contextual.

Com tudo isso, os autores concluíram que a literatura recente indica que a fadiga mental pode contribuir para a redução do desempenho associado à “fadiga relacionada ao jogo” no futebol. De fato, a fadiga mental induzida prejudica o desempenho físico, técnico, tático e de tomada de decisão específicos do futebol.

E você, como monitora a fadiga mental dos seus atletas?

 

 

REFERÊNCIAS

  1. Smith MR, Thompson C, Marcora SM, Skorski S, Meyer T, Coutts AJ. Mental Fatigue and Soccer: Current Knowledge and Future Directions. Sports Med 2018 Jul;48(7):1525-1532.
  2. Thompson CJ, Fransen J, Skorski S, Smith MR, Meyer T, Barrett S, Coutts AJ. Mental Fatigue in Football: Is it Time to Shift the Goalposts? An Evaluation of the Current Methodology. Sports Med 2018 Nov 2. doi: 10.1007/s40279-018-1016-z. [Epub ahead of print]

 

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