O binômio ciência–treinamento sob a perspectiva de um Treinador
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Diante das demandas técnico-tática, física e psíquica a que os atletas de futebol são expostos atualmente, verifica-se um grande esforço por parte dos profissionais do esporte ao redor do mundo na busca por respostas. Nosso papel como Profissionais do Esporte é contribuir com as soluções, por meio do desenvolvimento de estratégias que visam minimizar o grande número de lesões no esporte, pauta consensual dos Colégios Americano de Medicina do Esporte e Europeu de Ciência do Esporte (1). Para alcançar esse objetivo é imprescindível que haja o controle de carga de treinamento, pois apesar da causa da lesão ser multifatorial, ela resulta de um somatório de cargas que geram uma força que ultrapassa o limite suportado pelo tecido biológico (2).

Uma elevada prevalência de lesões no futebol (22% – 26%) (3, 4) resultam em gastos que chegam a atingir $ 646 milhões/ano (5). No Brasil, os percentuais de atletas profissionais (6) e das categorias de base (7) que se lesionam durante uma temporada chegam a 56% e 78%, respectivamente. Os valores nacionais com gastos médico-hospitalares não foram encontrados, mas o desenvolvimento de estratégias que visam minimizar o grande número de lesões tem sido sugerido (1). Um dos maiores desafios da atualidade em relação ao risco de lesão em atletas é como realizar esse controle de forma individual, principalmente no esporte coletivo (8). Assim, visando reduzir o número de lesões e melhorar o desempenho, são aplicadas as seguintes ferramentas para executar o controle de carga de treinamento; o monitoramento (9), a quantificação (10) e a regulação (11).

Sendo definidas como:

Monitoramento: verificar as respostas do atleta as cargas de treino executadas e que foram previamente planejadas pelo treinador (9);

Quantificação: somatório do registro da carga de treinamento que foi planejado e aplicado pelo treinador e efetivamente executado pelo atleta (10);

Regulação: ajustes nas cargas que ocorrem durante o processo de treinamento em relação às respostas do atleta (11).

A importância da melhora nesse processo recebe maior destaque, devido a estudos que apontam a existência de relações significativas entre as lesões e a manipulação da carga de treinamento (8), e até mesmo com o desempenho das equipes de futebol (12). Um incremento na carga de treinamento (maior do que 10% em relação à semana anterior) foi associado a um aumento das lesões da ordem de 40% em atletas de futebol australiano (13), carecendo ainda de estudos com essa característica no futebol (i.e. soccer, football). Isto porque, um estudo que acompanhou por 11 anos a relação entre o número de lesões e o desempenho das equipes na UEFA Champions League concluiu que as equipes alcançaram o topo quando sofreram um menor número de lesões no decorrer da temporada (12). Além disso, esse estudo ressaltou a importância do desenvolvimento de estratégias de prevenção de lesões para que as equipes de futebol aumentem suas chances de sucesso nas competições, principalmente para as que mais ocorrem na modalidade; como as lesões musculares (3), além das lesões no joelho (14).

Frente a sua reconhecida importância, o controle das cargas de treinamento vem recebendo considerável atenção na literatura especializada. Muitos são as variáveis selecionadas para este propósito: as biomecânicas (15), as fisiológicas (16), as bioquímicas (17), as imunológicas (18) e as psicobiológicas (19). Mesmo diante dessas várias possibilidades, treinadores relatam não utilizar as variáveis para controle de carga de treinamento devido à dificuldade de acesso e/ou ao grande tempo despendido na obtenção e processamento das informações (20, 21). Por outro lado, treinadores reportaram que uma agilidade na transmissão das informações entre os membros da Comissão Técnica e os atletas poderiam facilitar a aplicação desse conhecimento gerado (22).

E você, como faz para superar essas barreiras?

REFERÊNCIAS:

    1. Meeusen R, Duclos M, Foster C, Fry A, Gleeson M, Nieman D, Raglin J, Rietjens G, Steinacker J, and Urhausen A. Prevention, diagnosis, and treatment of the overtraining syndrome: joint consensus statement of the European College of Sport Science and the American College of Sports Medicine. Medicine and Science in Sports and Exercise 45: 186-205, 2013.
    2. Zernicke RF and Whiting WC. Mechanisms of musculoskeletal injury, in: Biomechanics in Sport. Blackwell Science Ltd, 2008, pp 507-522.
    3. Ekstrand J, Walden M, and Hagglund M. Hamstring injuries have increased by 4% annually in men’s professional football, since 2001: a 13-year longitudinal analysis of the UEFA Elite Club injury study. British Journal of Sports Medicine 50: 731 – 737, 2016.
    4. Esquivel AO, Bruder A, Ratkowiak K, and Lemos SE. Soccer-related injuries in children and adults aged 5 to 49 years in US Emergency Departments from 2000 to 2012. Sports Health 7: 366-370, 2015.
    5. Hewett TE, Myer GD, Ford KR, Heidt RS, Jr., Colosimo AJ, McLean SG, van den Bogert AJ, Paterno MV, and Succop P. Biomechanical measures of neuromuscular control and valgus loading of the knee predict anterior cruciate ligament injury risk in female athletes: a prospective study. American Journal of Sports Medicine 33: 492-501, 2005.
    6. Almeida PSMd, Scotta AP, Pimentel BdM, Batista Júnior S, and Sampaio YR. Incidência de lesão musculoesquelética em jogadores de futebol. Revista Brasileira de Medicina do Esporte 19: 112-115, 2013.
    7. Ribeiro RN, Vilaça F, Oliveira HUd, Vieira LS, and Silva AAd. Prevalência de lesões no futebol em atletas jovens: estudo comparativo entre diferentes categorias. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte 21:189-194, 2007.
    8. Gabbett TJ. The training-injury prevention paradox: should athletes be training smarter and harder? British Journal of Sports Medicine 50: 273-280, 2016.
    9. Akenhead R and Nassis GP. Training load and player monitoring in high-level football: current practice and perceptions. International Journal of Sports Physiology and Performance 11: 587-593, 2016.
    10. Borresen J and Lambert MI. The quantification of training load, the training response and the effect on performance. Sports Medicine 39: 779-795, 2009.
    11. Siff MC. Supertraining. CO: Supertraining Institute, 2000.
    12. Hagglund M, Walden M, Magnusson H, Kristenson K, Bengtsson H, and Ekstrand J. Injuries affect team performance negatively in professional football: an 11-year follow-up of the UEFA Champions League injury study. British Journal of Sports Medicine 47: 738-742, 2013.
    13. Piggott B, Newton MJ, and McGuigan MR. The relationship between training load and incidence of injury and illness over a pre-season at an Australian Football League club. Journal of Australian Strength and Conditioning 17: 4-17, 2009.
    14. Yang J, Tibbetts AS, Covassin T, Cheng G, Nayar S, and Heiden E. Epidemiology of overuse and acute injuries among competitive collegiate athletes. Journal of Athletic Training 47: 198-204, 2012.
    15. Claudino JG, Cronin JB, Mezêncio B, Pinho JP, Pereira C, Mochizuki L, Amadio AC, and Serrao JC. Auto-regulating jump performance to induce functional overreaching. Journal of Strength and Conditioning Research 30:2242-2249, 2016.
    16. Alves AL, Garcia ES, Morandi RF, Claudino JG, Pimenta EM, and Soares DD. Individual analysis of creatine kinase concentration in Brazilian elite soccer players. Revista Brasileira de Medicina do Esporte 21: 112-116, 2015.
    17. Coutts AJ, Reaburn P, Piva TJ, and Rowsell GJ. Monitoring for overreaching in rugby league players. European Journal of Applied Physiology 99: 313-324, 2007.
    18. Moreira A, Arsati F, Lima-Arsati YBD, de Freitas CG, and de Araujo VC. Salivary immunoglobulin a responses in professional top-level futsal players. Journal of Strength and Conditioning Research 25: 1932-1936, 2011.
    19. Brink MS, Visscher C, Coutts AJ, and Lemmink KAPM. Changes in perceived stress and recovery in overreached young elite soccer players. Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports 22: 285-292, 2012.
    20. Mooney R, Corley G, Godfrey A, Osborough C, Newell J, Quinlan LR, and ÓLaighin G. Analysis of swimming performance: perceptions and practices of US-based swimming coaches. Journal of Sports Sciences 34:997-1005, 2016.
    21. Saw AE, Main LC, and Gastin PB. Monitoring athletes through self-report: factors influencing implementation. Journal of Sports Science and Medicine 14: 137-146, 2015.
    22. Roos L, Taube W, Brandt M, Heyer L, and Wyss T. Monitoring of daily training load and training load responses in endurance sports: what do Coaches want? Schweiz Z Sportmed Sporttraumatol 61: 30-36, 2013.

151 Comentários

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