Controle de carga no voleibol: aplicações práticas baseadas em evidências científicas

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Por Prof. Ms. Rodrigo Gianoni e Prof. Ms. Guilherme Berriel

Neste texto do nosso blog LOAD CONTROL temos a satisfação de contar com a contribuição de profissionais diferenciados, com vasta vivência prática e científica, os Professores Mestres Rodrigo Gianoni e Guilherme Berriel. Essa abordagem será norteada pelo editorial publicado agora em 2019 pela revista científica British Journal of Sports Medicine de autoria de Moran e colaboradores (1), que fez levantamento de uma série de fatores relacionados aos saltos verticais que podem ser responsáveis pela incidência de lesões em atletas de voleibol, abordando variáveis fisiológicas e mecânicas de controle de carga interna e externa, aspectos relacionados à biomecânica do salto e aterrissagem, somando e esses fatores característica antropométricas dos atletas. Os autores sugerem que um modelo de controle de carga eficiente para atletas de voleibol deve levar em consideração todas essas variáveis. Além disso, eles apontam pertinentes observações de como o monitoramento de carga é de extrema importância no âmbito do desenvolvimento de performance e prevenção de lesões. Abordando estratégias de monitoramento que permitem a quantificação de parâmetros como: o número, a altura, e a biomecânica da aterrissagem dos saltos realizados nas sessões de treinamento e jogos, bem como da importância da implementação de tecnologia com fácil aplicação prática nas áreas das Ciências do Esporte no voleibol.

Figura do modelo proposto para mensurar a carga de saltos (Adaptado de Moran et al. 1)

Ao fazer uma reflexão do estudo acima com a sua prática profissional, o Prof. Ms. Rodrigo Gianoni nos coloca a seguinte perspectiva: “A partir dessa leitura pude compreender de forma sintetizada a direção em que a área do monitoramento caminha. Será um futuro com profissionais que entendam sobre o que é, como e por que, de se monitorar o treinamento e também o que é, como e por que, usar a tecnologia a seu favor. Uma aplicação prática condizente com a abordada no estudo, foi a de idealizar e gerir um projeto chamado de Centro Integrado de Apoio ao Voleibol (CIAV) junto com outros profissionais, onde gostaria de destacar os Preparadores Físicos Otavio Takeda e Ricardo Oliboni que desejavam contribuir com informações pertinentes ao assunto, com o objetivo de compartilhar conhecimento com os demais profissionais das disciplinas que compõem as Ciências do Esporte, como psicólogo, nutricionista, e fisioterapeuta entre outros, assim construindo um corpo para coleta de dados e realização das avaliações para o monitoramento. Monitoramos além da percepção subjetiva do esforço (PSE) da sessão, questionários subjetivos, avaliações de performance como de salto contra-movimento em todas as primeiras sessões de treinamento das semanas, verificando a fadiga e a supercompensação, para otimizar a regulação das cargas, quantificamos saltos, variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e realizamos avaliação biomecânica de todas as fases de salto através de vídeos, assim, vindo de encontro a o que a ciência orienta a realizar.”

O Prof. Ms. Guilherme Berriel faz o seguinte relato: “Tenho aplicado o controle de cargas em atletas de voleibol nos clubes em que trabalho já há alguns anos e atualmente nas Categorias de Base da Seleção Brasileira Masculina. Penso que a metodologia de treinamento aplicada ao atleta pode variar entre Treinadores, Preparadores Físicos e os objetivos planejados serem alcançados plenamente, porém seja qual for o modelo de treinamento aplicado é necessário o controle da carga que está sendo aplicada, pois sem este, as chances de serem atingido os objetivos planejados diminuem consideravelmente devido principalmente a estabilização ou perda precoce de desempenho, assim como pela maior incidência de lesões que não permite que o atleta esteja disponível para treinar e jogar no melhor da suas condições físicas. As Ciências do Esporte já vem mostrando isso com um grande número de estudos que visam verificar o efeito do monitoramento das cargas de treinamento. Além disso, os avanços da tecnologia e principalmente com o advento dos acelerômetros, o que têm nos permitido avaliar uma gama maior de aspectos relacionados ao salto vertical e a sua influência no controle da carga em atletas de voleibol, como essa é uma ferramenta relativamente nova, penso que ainda vamos precisar de um tempo para poder entender e interpretar de forma mais assertiva as informações obtidas por esse equipamento.”

Em conclusão, o referido artigo (1), fala em modelo ideal de monitoramento, acreditamos que neste momento ainda não temos esta ferramenta, todas que usualmente são aplicadas possuem fatores positivos e negativos, o que não invalida a utilização de qualquer uma delas. Pois de fato o que acontece na prática; são aplicadas várias ferramentas de monitoramento e os profissionais buscam correlacionar os dados de cada uma delas para o melhor entendimento do comportamento do atleta em relação à carga submetida durante os treinamentos. Porém mais importante do que a ferramenta que vai ser usada para o controle de carga, é o entendimento de quem está a utilizando para monitorar, ao saber identificar os potenciais e as limitações de cada ferramenta. Desta forma, aproveitar da melhor maneira os dados apresentados, mas isso não é uma tarefa fácil e não acontece da noite para o dia, vai ser preciso um tempo de estudo e prática para entender a ferramenta e como ela se comporta no dia a dia dos treinamentos.

E você, como acontece o seu controle de carga de treinamento no voleibol?

 

REFERÊNCIA:

  1. Moran LR, Hegedus EJ, Bleakley CM, Taylor JB. Jump load: capturing the next great injury analytic. Br J Sports Med 2019 Jan;53(1):8-9.



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