Lesões no futebol: estaria inadequado o volume de treinamento com distâncias percorridas em alta intensidade?

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A carga de treinamento aplicada no atleta tem sido relatada como um potencial fator de risco para uma lesão subsequente no futebol (1). Por outro lado, essa mesma carga de treinamento é a responsável por desenvolver mecanismos protetores contra lesões e pelo desenvolvimento da performance esportiva (2). Diante dessa situação paradoxal, podemos adicionar o fato do calendário competitivo apresentar uma alta frequência de jogos onde os jogadores são frequentemente obrigados a jogar partidas consecutivas com intervalo de recuperação de 3 dias. Essa frequência de jogos aumentada, também conhecido como calendário congestionado, pode aumentar o risco de lesões (1). Além disso, um elevado número de dias de treino e jogos perdidos devido às lesões demonstrou ser prejudicial para o sucesso dos clubes nos campeonatos disputados (3, 4).

Nos últimos anos tem ocorrido um aumento notável da quantidade de distâncias percorridas em alta velocidade nas partidas de futebol, mesmo com a manutenção ou a redução das distâncias totais percorridas (5). Paralelamente, as lesões nos isquiotibiais aumentaram 4% ao ano no futebol, resultado de uma análise longitudinal de 13 anos nos clube de elite da UEFA (6). Dentro do contexto específico do futebol, outro fator que teve um crescimento notado foi a utilização nas sessões de treinamento dos jogos com campo reduzido (7). Diante da interação desses vários fatores, um recente estudo abordou a relação da corrida de alta intensidade com o risco de lesão no futebol (8), colocando a seguinte questão: qualidades físicas bem desenvolvidas podem reduzir o risco de lesão?

Os autores responderam essa pergunta ao executar um estudo prospectivo observacional ao longo de 48 semanas em uma temporada competitiva na elite do futebol europeu (2015/2016; Liga Nos, Portugal). Todos os 37 jogadores profissionais participantes tiveram as suas cargas de treinamento quantificadas nos treinos e jogos pelas distâncias percorridas em alta intensidade (coletada por dispositivo GPS; > 14,4 km/h e > 19,8 Km/h) e pela percepção subjetiva de esforço (PSE) (coletada por um sistema online; PSE x duração da sessão), sendo analisadas de forma semanal. A capacidade aeróbica dos jogadores foi avaliada durante cada fase da temporada pelo teste de aptidão intermitente 30-15 (30-15TAI). Os principais resultados foram: os jogadores que completaram volumes MODERADOS de distâncias percorridas em alta intensidade apresentaram risco de lesão reduzido em comparação ao grupo com volumes BAIXOS de distâncias percorridas em alta intensidade. Além disso, o risco de lesão foi maior para os jogadores que tiveram grandes incrementos de volumes semanais nas distâncias percorridas em alta intensidade. Os jogadores que tiveram cargas crônicas de treinamento (a média da carga de treino de 21 dias) mais elevadas (≥ 2584 unidades arbitrárias; UA) apresentaram risco de lesão significativamente menor quando percorreram distâncias em alta intensidade 1 vez por semana de 701 a 750 metros em comparação ao grupo com menos de 674 metros percorridos. Os jogadores com baixa capacidade aeróbica no teste 30-15TAI tiveram um maior risco de lesão do que os jogadores com melhor desempenho. Os autores concluíram que o risco de lesão era aumentado para os atletas que apresentavam: 1) um rápido incremento semanal nas distâncias percorridas em alta intensidade; 2) elevadas cargas crônicas, mas com volumes BAIXOS de distâncias percorridas em alta intensidade; 3) baixa capacidade aeróbica. No presente estudo as qualidades físicas bem desenvolvidas reduziram o risco de lesão em jogadores profissionais de futebol, sendo ainda requerido um volume ótimo de treinamento, pois os autores sugeriram a existência de uma curva em forma de U entre a carga de treino com distâncias percorridas em alta intensidade e o risco de lesão. Adicionalmente, recomendaram que os Treinadores devem procurar expor seus atletas a períodos de treinamento que ofereçam a possibilidade de atingir as altas velocidades de sprint, por meio de; jogos com campo reduzido de grandes dimensões ou de exercícios de corrida em linha reta com potencial para os atletas atingirem essas velocidades (8).

Como estão os volumes de distâncias percorridas em alta intensidade dos seus atletas?

 

REFERÊNCIAS:

 

  1. Malone S, Owen A, Newton M, Mendes B, Collins KD, Gabbett TJ. The acute:chonic workload ratio in relation to injury risk in professional soccer. J Sci Med Sport 2017 Jun;20(6):561-565.
  2. Gabbett TJ. The training-injury prevention paradox: should athletes be training smarter and harder? Br J Sports Med 2016 Mar;50(5):273-80.
  3. Arnason A, Sigurdsson SB, Gudmundsson A, Holme I, Engebretsen L, Bahr R. Physical fitness, injuries, and team performance in soccer. Med Sci Sports Exerc 2004 Feb;36(2):278-85.
  4. Hägglund M, Waldén M, Magnusson H, Kristenson K, Bengtsson H, Ekstrand J. Injuries affect team performance negatively in professional football: an 11-year follow-up of the UEFA Champions League injury study. Br J Sports Med 2013 Aug;47(12):738-42.
  5. Barnes C, Archer DT, Hogg B, Bush M, Bradley PS. The evolution of physical and technical performance parameters in the English Premier League.  Int J Sports Med 2014 Dec;35(13):1095-100.
  6. Ekstrand J, Waldén M, Hägglund M. Hamstring injuries have increased by 4% annually in men’s professional football, since 2001: a 13-year longitudinal analysis of the UEFA Elite Club injury study. Br J Sports Med 2016 Jun;50(12):731-7.
  7. Djaoui L, Chamari K, Owen AL, Dellal A. Maximal Sprinting Speed of Elite Soccer Players During Training and Matches. J Strength Cond Res 2017 Jun;31(6):1509-1517.
  8. Malone S, Owen A, Mendes B, Hughes B, Collins K, Gabbett TJ. High-speed running and sprinting as an injury risk factor in soccer: can well-developed physical qualities reduce the risk? J Sci Med Sport 2018 Mar;21(3):257-262.



13 Comentários

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