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Monitoramento 24 horas da saúde e performance de atletas: realidade distante ou não?

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Antes de respondermos essa pergunta, iremos apresentar um estudo com longo título que pode ser entendido mais ou menos assim “Estrutura integrada de monitoramento de carga por uma combinação de aplicativos para smartphones (celulares), wearables (vestíveis), e testes de point-of-care (análises rápidas junto do paciente) fornecendo feedback que permitem ajustes individuais responsivos para as atividades do dia-a-dia” publicado na Revista Científica Sensors (1). Os autores definiram Apps como um software executável em um dispositivo portátil, como smartphones e, às vezes, smartwatches (relógios inteligentes); wearables como dispositivos leves usados ​​perto, sobre ou no corpo que monitoram, transmitem e/ou analisam dados, fornecendo bio-feedback, enquanto os dispositivos para testes de point-of-care permitem um rápido diagnóstico bioquímico, hematológico, de coagulação ou molecular no ponto-de-cuidado (por exemplo, o centro de treinamento), muitas vezes de maneira minimamente invasiva.

Neste estudo os autores reportam que o monitoramento da carga de treinamento é extremamente complexo, pois todos os sistemas de um indivíduo se adaptam a vários estímulos simultâneos de maneira integrada. Diante disso, foi proposto que o monitoramento de 24 horas pode ajudar a levar em conta os vários fatores que influenciam a adaptação geral ao exercício, melhorando assim nossa percepção sobre as interdependências nesse contexto entre o estresse do treinamento, recuperação, atividades da vida diária fora do treinamento e vários outros estímulos (por exemplo, temperatura, umidade, estressores psicossociais e muitos outros) (2) e podem permitir ajustes individuais para a programação do exercício. Partindo de uma perspectiva prática, incluindo a dos treinadores, o monitoramento da carga projetado para detectar as possíveis mudanças na saúde e no desempenho de atletas deve ser válido, confiável e sensível, além de eficiente em termos de tempo, facilmente aplicável, não fatigante e o menos invasivo possível (3).

As aplicações de smartphone (apps), sensores vestíveis (wearables) e testes de point-of-care permitem (i) monitoramento de alta resolução e/ou regulação de uma variedade de marcadores psicofisiológicos relevantes de carga externa e interna; (ii) coleta de dados minimamente ou não invasiva; (iii) avaliação rápida desses dados e, portanto, potencialmente (instantâneo) (bio) feedback; (iv) medições numa variedade de configurações diferentes (por exemplo, em casa, durante o treino, durante a competição, enquanto viaja, durante a vida diária); e/ou (v) monitoramento sem o envolvimento de pessoal médico sofisticado ou a necessidade de um laboratório (4-6). Curiosamente, apesar dessas vantagens consideráveis, parece haver pouca consciência das capacidades dos apps, wearables e testes de point-of-care para fornecer feedback integrado e instantâneo aos atletas e treinadores permitindo o ajuste do exercício para minimizar os riscos à saúde e otimizar a adaptação (1).

Períodos fora do treinamento (off-training) são geralmente programados de maneira a otimizar a recuperação e é geralmente aceito que o tipo de atividade (por exemplo, recuperação passiva versus recuperação ativa) envolvida no pós-exercício influencia essa recuperação (7) e é, portanto, importante monitorar (8). Apps (9) e/ou wearables (10) podem monitorar atividades físicas fora do treinamento com, por exemplo, acelerômetros e/ou receptores de GPS e/ou fotopletismografia (avalia o tempo de reenchimento venoso, fornecendo um parâmetro objetivo de quantificação do refluxo venoso; 11). Nosso conhecimento sobre como as atividades fora do treinamento afetam o desempenho e/ou a saúde está seriamente limitado atualmente e precisa ser estendido (1).

Figura 1. Procedimento para monitorar a carga de treinamento externa e interna empregando Apps, Wearables e testes de Point-of-care e fornecendo feedback aos atletas e seus treinadores que permite modificações benéficas dos programas de exercícios (1).

Uma consequência inevitável desse processo é que a medida que a quantidade de dados coletados aumenta, são necessários sistemas mais eficazes de análise, interpretação e relato de resultados simples, porém significativos, para atletas e técnicos. Com os avanços na análise de grandes conjuntos de dados (Big Data), algoritmos adequados podem permitir novos insights sobre as relações entre os parâmetros monitorados e vários aspectos de desempenho e/ou saúde. Para melhorar ainda mais a estrutura delineada, os autores propõem que os desenvolvimentos futuros devem permitir o monitoramento de parâmetros adicionais de forma não invasiva por wearables e/ou apps para coletar o máximo de dados o mais confiável e convenientemente possível. Além disso, é necessário um sistema fácil de usar que, idealmente, incorpore todos os parâmetros mencionados acima para fornecer feedback simples, mas poderoso ao praticante (1). Abordagem essa que está totalmente de acordo com a nossa e aplicada no dia-a-dia da LOAD CONTROL, a de transformar dados em conhecimento aplicado para respaldar o processo de tomada de decisão do Treinador.

Sabemos que questões legais podem impedir a obtenção desses dados, por outro lado, essa situação pode ser prevista em contratos entre os atletas e os clubes. Agora a pergunta inicial permanece, mas diante desta revolução tecnológica e científica que estamos vivendo, fato destacado até mesmo por um artigo na conceituadíssima Revista Científica Nature (12) e detalhado neste estudo da Revista Científica Sensors (1), podemos dizer que esse monitoramento 24 horas da saúde e performance de atletas é uma realidade não tão distante assim.

Estamos preparados para lidar com esse futuro que já chegou?

REFERÊNCIAS:

  1. Düking P, Achtzehn S, Holmberg HC, Sperlich B. Integrated framework of load monitoring by a combination of smartphone applications, wearables and point-of-care testing provides feedback that allows individual responsive adjustments to activities of daily living. Sensors (Basel) 2018 May 19;18(5): E1632.
  2. Sperlich B, Holmberg HC. The responses of elite athletes to exercise: an all-day, 24-h integrative view is required! Front Physiol 2017 Aug 14;8:564.
  3. Starling LT, Lambert MI. Monitoring Rugby players for fitness and fatigue: what do coaches want? Int J Sports Physiol Perform 2017 Jul 1;13(6):777-782.
  4. Düking P, Hotho A, Holmberg HC, Fuss FK, Sperlich B. Comparison of non-invasive individual monitoring of the training and health of athletes with commercially available wearable technologies. Front Physiol 2016;7:71.
  5. Luppa PB, Bietenbeck A, Beaudoin C, Giannetti A. Clinically relevant analytical techniques, organizational concepts for application and future perspectives of point-of-care testing. Biotechnol Adv 2016;34:139–160
  6. Düking P, Holmberg HC, Sperlich B. Instant biofeedback provided by wearable sensor technology can help to optimize exercise and prevent injury and overuse. Front Physiol 2017;8:167.
  7. Burr JF, Slysz JT, Boulter MS, Warburton DE. Influence of active recovery on cardiovascular function during Ice Hockey. Sports Med Open 2015; 1:27.
  8. Sperlich B, Becker M, Hotho A, Wallmann-Sperlich B, Sareban M, Winkert K, Steinacker JM, Treff G. Sedentary behavior among national elite rowers during off-training – a pilot study. Front Physiol 2017;8:655.
  9. DeMasi O, Feygin S, Dembo A, Aguilera A, Recht B. Well-being tracking via smartphone-measured activity and sleep: cohort study. JMIR mHealth uHealth 2017;5:e137.
  10. Wahl Y, Düking P, Droszez A, Wahl P, Mester J. Criterion-validity of commercially available physical activity tracker to estimate step count, covered distance and energy expenditure during sports conditions. Front Physiol 2017;8:725.
  11. Saliba JR OA, Giannini M, Rollo HA. Métodos de diagnóstico não-invasivos para avaliação da insuficiência venosa dos membros inferiores. J Vasc Bras 2007; 6(3):266-275.
  12. Austen K. What could derail the wearables revolution? Nature 2015 Sep 3;525(7567):22-4.

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