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Prof. Dr. Pascal Izzicupo (Università degli Studi G. d’Annunzio Chieti e Pescara, Itália)
Prof. Dr. Fábio Yuzo Nakamura (@fabionakamura_sportscientist; Universidade Federal da Paraíba, Brasil)

O que os atletas fazem quando não treinam?

Todo mundo sabe que o estilo de vida é crucial para os atletas. Existem exemplos gritantes entre os atletas famosos: alguns viram sua carreira fracassar precocemente devido a um estilo de vida “não sóbrio”, enquanto outros tiveram carreiras longas e bem-sucedidas graças, ao menos em parte, ao seu estilo de vida moderado e regular. É claro que existem exceções. Apesar da influência reconhecida do estilo de vida sobre as carreiras dos atletas, poucos dados estão disponíveis na literatura científica.

Vários estudos mostraram que os atletas são mais saudáveis e vivem mais do que pessoas inativas, mas o ponto aqui não é a saúde, mas sim o desempenho e a carreira do atleta. Partindo de poucas evidências mostrando que os atletas de alto nível preocupantemente sedentários, supomos que isso pode influenciar a recuperação, a adaptação ao treinamento e o desempenho. Por se tratar de um tema pouco reconhecido na literatura científica, iniciamos com uma revisão de escopo, com o objetivo de mapear as evidências da pesquisa, encontrar lacunas e limitações metodológicas e indicar futuras direções de pesquisa.

As questões científicas que esta revisão teve como objetivo responder foram:

(1) Quão ativos/inativos são atletas competitivos fora do treinamento?

(2) Os comportamentos físicos fora do treinamento afetam a recuperação, o desempenho e a saúde?

(3) Quais estratégias podem ser implementadas para melhorar a recuperação usando comportamentos físicos fora do treinamento, além do sono?

Os resultados confirmaram a nossa ideia: há muito poucos estudos, apenas nove, sobre este tema e relacionados com atletas muito heterogêneos, por isso é difícil tirar conclusões. No geral, os atletas gastam uma quantidade muito grande de tempo em atividades sedentárias e, em alguns casos, como crianças e atletas do sexo feminino, eles sequer alcançam as recomendações mínimas de prática de atividade física! Além disso, a adiposidade pode se correlacionar com o tempo sentado em atletas, a despeito da quantidade de treinamento e a intensidade espontânea da atividade física estar correlacionada com a recuperação após uma concussão relacionada ao esporte. Esses resultados sugerem que comportamentos físicos fora do treinamento podem afetar tanto a aptidão quanto estar associada à recuperação em atletas competitivos. Por outro lado, nenhum estudo em nossa busca tentou manipular comportamentos físicos para melhorar a recuperação; dessa forma, essa situação precisa ser mais investigada. Este é um tópico excitante que pode abrir uma nova perspectiva na avaliação esportiva e definir novas estratégias de recuperação. No entanto, a comunidade científica tem que produzir uma grande quantidade de dados descritivos em vários esportes com diferentes treinamentos e demandas, explorar os mecanismos explicativos pelos quais comportamentos físicos fora do treinamento podem afetar a recuperação e conduzir estudos experimentais nos quais esses comportamentos são manipulados para melhorar o desempenho.

Esta revisão de escopo introduz o Projeto 3ST (Atividade física espontânea, Comportamento sedentário, Sono e Treinamento; um Projeto de Pesquisa Multicêntrico gerenciado pelas Professoras Angela Di Baldassarre e Barbara Ghinassi e pelos Professores Pascal Izzicupo e Fábio Nakamura), que visa preencher a lacuna na literatura científica, 1) fornecendo uma descrição completa e detalhada dos comportamentos físicos de atletas competitivos usando um desenho observacional; 2) explorar associações entre comportamentos físicos de atletas competitivos e marcadores fisiológicos/psicológicos de saúde, desempenho e recuperação, bem como descrever os mecanismos que regulam tais associações e; (3) testar a eficácia das intervenções (por exemplo, educação e terapias) para melhorar os estilos de vida e os hábitos dos atletas competitivos, visando otimizar a adaptação, a recuperação e o desempenho do treinamento. Quase dois milênios atrás, Galeno levantou perplexidades sobre o estilo de vida dos atletas, mas os cientistas do esporte ignoraram sua afirmação até agora. Dois milênios depois, podemos começar finalmente dizer se ele estava certo ou não.

Figura 1. Cláudio Galeno (129-199). Disponível em: < https://www.ebiografia.com/claudio_galeno/ > Acessado em: 03 mai. 2019.

Para ter acesso ao artigo completo:

https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphys.2019.00448/full